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<title>Naïf Gendarme</title>
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<copyright>Copyright (c) 2006, Igor</copyright>
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<title>Aniversário, Aposta, Ave César e tudo mais</title>
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<issued>2006-04-28T17:41:01Z</issued>
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<summary type="text/plain">Um ano é uma coisa muito engraçada. Enquanto não se completa, ainda não existe - e no instante exato que se completa, deixa de existir, torna-se passado. Eu, como sempre fui muito limpinho e decente, aprendi desde criança a gostar...</summary>
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<![CDATA[<p>Um ano é uma coisa muito engraçada. Enquanto não se completa, ainda não existe - e no instante exato que se completa, deixa de existir, torna-se <em>passado</em>. Eu, como sempre fui muito limpinho e decente, aprendi desde criança a gostar de coisas passadas: A roupa fica muito melhor e adorna ainda mais meu bem proporcionado corpo de jovem saudável. O tempo passado, assim, é como um tempo que podemos vestir muito bem, pois está pronto para isso.</p>

<p>Os tempos passados que foram para o cabide servem muito bem, se o cabide for decente; mas há poucos prazeres maiores que vestir, num dia frio, uma camisa recém-passada... e dos prazeres pouco lembrados, este será talvez o maior. O passado recém passado ainda está quentinho. O "um ano" que acabou de se esvair ainda está bem visível, quase palpável - e foi muito bom. Acabou um ano, <a href="http://www.apostos.com">um ano já temos</a>.</p>

<p>Gee, então chegou a hora de dizer adeus. Como este sincero predisse <a href="http://www.apostos.com/todos/archives/2005/04/comunidade_a_o.html">(previsão)</a>,  estou sendo autêntico e saindo do portal.  No mais, a todos os colegas de portal - um grande abraço, ou beijos para quem os quiser, com cafungadas opcionais no cangote; e, cumpádis, grande honra ter estado entre vocês. Obrigado. </p>

<p>O blog fica aqui, parado, morto. E eu vou sumir, oras! O que é que vocês esperavam?</p>

<p>Brincadeira, brincadeira. Só não vou mais publicar neste blog, mas quem quiser ainda poderá me encontrar pendurado num dos galhos daquela árvore de sempre, naquela praça mesmo.</p>]]>

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<title>Quase sempre</title>
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<summary type="text/plain">Quase sempre morremos do que nos faz viver....</summary>
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<![CDATA[<p>Quase sempre morremos do que nos faz viver.</p>]]>

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<title>This is the wonder...</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:53Z</modified>
<issued>2006-03-31T18:37:38Z</issued>
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<summary type="text/plain">Nas aulas de física, ouvindo falar nos muitos e escabrosos fenômenos do céu posterior, no apetite infinito dos buracos negros, no inchaço que fatalmente acometerá nosso sol - e ele virá torrando Mercúrio e Vênus, engolindo a Terra, em sua...</summary>
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<![CDATA[<p>Nas aulas de física, ouvindo falar nos muitos e escabrosos fenômenos do céu posterior, no apetite infinito dos buracos negros, no inchaço que fatalmente acometerá nosso sol - e ele virá torrando Mercúrio e Vênus, engolindo a Terra, em sua ânsia por mais espaço, qual um viajante de classe econômica - estudando todas estas enormidades, nunca me assombrei. Sempre achei natural que as coisas grandes ficassem cada vez maiores, e as coisas quentes cada vez mais quentes. O que me impressionava não era que os astros pudessem fazê-lo; o que me impressionava e ainda impressiona é que não o façam.</p>

<p>Pois há um contrasenso num universo que nasce de uma explosão, mas mesmo assim seus corpos não encontram espaço e precisam se atropelar mutuamente, numa disputa de hockey cósmico tão perigosa quanto desajeitada. Um universo que se tornou enorme numa fração de segundos não possui espaço para que asteróides circulem à vontade, sem ameaçar nosso frágil planeta. Isso é um contrasenso, mas não é o contrasenso que me impressiona. É perfeitamente possível que haja abundância de espaço, sem que haja espaço sobrando para duas entidades... O que ainda me deixa abismado é outra coisa.</p>

<p>O que me comove é que estamos envolvidos num negócio perigosíssimo; aparentemente o sol pode nos lamber a qualquer momento, um asteróide pode querer tomar um banho de mar em um de nossos oceanos, um buraco negro pode dar um jeito de nos chupar, galáxia e tudo, para uma não-existência cremosa. E ainda assim, nada disso acontece: Alguma maravilha mantêm as estrelas afastadas, como no poema do ee cummings. Esta maravilha eu chamo de Amor. Essa mesma maravilha, segundo Dante, move o sol e as outras estrelas; e aqui esgoto a ciência, pois não há fenômeno natural; alguém afasta as estrelas fazendo-as andar. A ordem em nosso universo consiste em um movimento, o mesmo movimento que faz cientistas darem pulos de pânico, satisfação ou ambas as coisas quando um asteróide nos olha de soslaio... </p>

<p>Eis o maior segredo que ninguém conhece (eis a raiz da raiz e o caule do caule e o céu do céu de uma árvore chamada vida; que cresce mais alto que a alma pode esperar ou a mente esconder); e esta é a maravilha que tem mantido as estrelas afastadas.</p>]]>

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<title>Soneto</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:53Z</modified>
<issued>2006-03-29T12:51:45Z</issued>
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<summary type="text/plain">O que quero no mundo é véu - é trama urdida de paciência e mistério (nada falta no mundo, neste sério depósito de sobras)... ri-se a fama, exposta em honor e vitupério: Ri da torta na cara de quem ama,...</summary>
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<dc:subject>Ortodoxia</dc:subject>
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<![CDATA[<p>O que quero no mundo é véu - é trama<br />
urdida de paciência e mistério<br />
(nada falta no mundo, neste sério<br />
depósito de sobras)... ri-se a fama,</p>

<p>exposta em honor e vitupério:<br />
Ri da torta na cara de quem ama,<br />
ri da carne, do sangue, ri da lama,<br />
e ri de rir, num ronco frouxo e fero.</p>

<p>Haveria razões de riso, caso<br />
o riso não fosse filho de um siso<br />
pouco encontrado neste aro aceso</p>

<p>de um fogo frio... mais um brilho teso<br />
que fogo, uma vergonha sem juízo,<br />
onde uma alma se afoga no raso!</p>]]>

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<title></title>
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<modified>2006-07-07T05:47:50Z</modified>
<issued>2006-03-14T18:14:23Z</issued>
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<summary type="text/plain">Às vezes, tudo que eu quero é um prato de lentilhas para eu ganhar em troca de algumas primogenituras que são mais um fardo que uma benção....</summary>
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<name>Igor</name>
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<dc:subject>Rerum Novarum</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Às vezes, tudo que eu quero é um prato de lentilhas para eu ganhar em troca de algumas primogenituras que são mais um fardo que uma benção.</p>]]>

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<title>Apogeu e glória das musas</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:47Z</modified>
<issued>2006-02-24T13:26:31Z</issued>
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<summary type="text/plain">Faltava-me inspiração para escrever sobre o tema de nossa aposta quando a musa entrou pela janela de alumínio, que estava aberta, e sentou-se na cadeira ao meu lado, cheirando a alfazema. As musas usam perfumes old-fashioned. Contou-me que mamãe Mnémosine...</summary>
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<![CDATA[<p>Faltava-me inspiração para escrever sobre o tema de nossa aposta quando a musa entrou pela janela de alumínio, que estava aberta, e sentou-se na cadeira ao meu lado, cheirando a alfazema.</p>

<p>As musas usam perfumes old-fashioned. Contou-me que mamãe Mnémosine ainda era pior, não se desfaz do leite de rosas. Mas que musa era aquela?</p>

<p>- Tália?<br />
- Melpômene.</p>

<p>Chiei. Para meu objetivo bastava-me melhor Érato. Melpômene entendeu minha reclamação e disse que não adiantava desejar Terpsícore, Érato ou Tália; não eram para mim o a dança, desejo e o carnaval... Destino me reservava a tragédia, e a Destino devia me sujeitar. Evoé, Fado!</p>

<center>*</center>

<p>"Naaaaveeegueeei<br />
No velho Mar Egeu eu encontrei<br />
Ulisses também chamado Odisseu<br />
Que de Ítaca muito tempo atrás foi rei..."</p>

<p>E já não era uma musa, mas nove penduradas num carro alegórico.</p>

<center>*</center>

<p>Morfeu filha da mãe, vai passar trote nas tuas negas!</p>

<p>[Para a aposta #6, "Carnaval, Sexo e Mentiras". Mais <a href="http://www.apostos.com">aqui</a>]</p>]]>

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<title>Meu playmobil me sorriu atirando</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:46Z</modified>
<issued>2006-02-17T13:34:55Z</issued>
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<summary type="text/plain">Tentei escrever um post, mas como estava sem inspiração vim aqui cantar um clássico da MPB: Coitada, coitadinha da galinha de angola que leva o chocalho amarrado na canela... [vaias] Porque se eu não prestigiar o nosso cancioneiro, quem é...</summary>
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<![CDATA[<p>Tentei escrever um post, mas como estava sem inspiração vim aqui cantar um clássico da MPB:</p>

<blockquote><em>Coitada, coitadinha da galinha de angola que leva o chocalho amarrado na canela...</blockquote>
[vaias]</em>

<p>Porque se eu não prestigiar o nosso cancioneiro, quem é que vai prestigiar, não é? Vejam como a minha apreciação cobre de glória qualquer coisa, da música ao colunismo de revista. Same for blogs. Basta eu não gostar de um blog para que ele se torne ruim, assim como basta eu gostar para que ele se torne bom.</p>

<p>Por isso, decidi arrumar meus links. Devo ter esquecido de alguns blogs bons, mas pelo menos os apostos estão todos ali. E, sim, eu voltei, aqui é meu lugar.</p>]]>

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<title>Loop!</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:34Z</modified>
<issued>2006-01-16T09:00:00Z</issued>
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<summary type="text/plain">A vida doméstica é uma repetição - mês igual a mês, dia igual a dia, minutos, segundos iguais. Os mesmos prazeres. As mesmas dores. Os mesmos exageros para os de fora &quot;prazeres, dores, blá blá blá&quot;. A vida doméstica o...</summary>
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<dc:subject>Naïfapostas</dc:subject>
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<![CDATA[<p>A vida doméstica é uma repetição - mês igual a mês, dia igual a dia, minutos, segundos iguais. Os mesmos prazeres. As mesmas dores. Os mesmos exageros para os de fora "prazeres, dores, blá blá blá".</p>

<p>A vida doméstica o que é, então? É vida, e é doméstica. Não muito mais que isso. Quem quiser, basta estar vivo e se domesticar. Eu parei de morder faz tempo.</p>

<p>************</p>

<p>O sol se levanta todo dia: Na verdade, é a terra que gira seu corpo inteiro, oferecendo sempre metade de si ao astro quente. A outra metade continua velada.</p>

<p>O sol se levanta todo dia: Não é o sol que se move, mas do ponto de vista do observador é como se ele corresse em volta da Terra, querendo provocá-la. A Terra se espreguiça no calorzinho, todo dia.</p>

<p>************</p>

<p>Toda semana, ansiamos pelo corpo de Deus. Toda semana nos levantamos e vamos à casa dEle; recordar tranquilamente Sua paixão, como já disse alguém antes de mim. </p>

<p>Toda a semana, anseio pelo corpo de Deus. Toda semana me levanto e desejo ir à casa dEle; recordo sem tranquilidade sua paixão, e peço que abrevie os dias em que sua casa está assaltada...</p>

<p>Toda semana, a paixão se repete.</p>

<p>************</p>

<p>O sol subiu - "De novo!", Deus pediu.</p>

<p>************</p>

<p>Todo dia eu volto para casa. Queira Deus que todo dia eu encontre tudo como era ontem.</p>]]>

</content>
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<title></title>
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<modified>2006-07-07T05:47:32Z</modified>
<issued>2006-01-06T13:25:29Z</issued>
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<summary type="text/plain">Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz Que os traços rascunhados pelos velhos Meninos que habitavam nossas roupas E nossos quartos, nossos municípios, Nossas estantes, nossas livrarias, Ainda estão visíveis. É injusto O teu silêncio. Vem, luz, fala...</summary>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://igorbarbosa.apostos.com/">
<![CDATA[<p>Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz<br />
Que os traços rascunhados pelos velhos<br />
Meninos que habitavam nossas roupas<br />
E nossos quartos, nossos municípios,<br />
Nossas estantes, nossas livrarias, <br />
Ainda estão visíveis. É injusto<br />
O teu silêncio. Vem, luz, fala e diz<br />
Que a luz ainda tem a mesma voz,<br />
Que a voz da luz ainda faz-se ouvir<br />
E às vezes até vêm lhe corrigir,<br />
Pois a luz é criança, e quando fala<br />
Os adultos lhe ralham, “fica quieta!” - <br />
E a luz, quando é mandada se calar,<br />
Se cala. Nada mais lhe satisfaz<br />
Que ter sido ouvida – que falar.</p>

<p>Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz<br />
Que os passos percorridos pelos outros<br />
Pés que calçavam os nossos sapatos<br />
E que pisavam este mesmo asfalto,<br />
O mesmo barro, a mesma pedra, a areia,<br />
Ainda não foram descaminhados.<br />
Tua imobilidade é terrível<br />
Como a inércia de um cadáver novo,<br />
Que todos que vêem têm esperança<br />
Que vá se levantar – ergue-te, luz,<br />
Que sem a luz a vida não se faz;<br />
Apenas se imita e se reduz.<br />
Muda, ó luz, não estejas mais assim;<br />
Que atestam bem teu triste, impróprio estado<br />
Somente a água imóvel, o ar parado.</p>]]>

</content>
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<title>Palavras</title>
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<issued>2006-01-03T13:09:36Z</issued>
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<summary type="text/plain">O amor pode ser perfeito, mas as pessoas hão de sempre estragá-lo. A principal causa, penso, é a linguagem – imagino um casal plenamente feliz, ele falando javanês e ela húngaro, o amor nos toques e olhares, na comida que...</summary>
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<name>Igor</name>
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<dc:subject>Naïfismo</dc:subject>
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<![CDATA[<div id=imagpost><img alt="060103_f_005.jpg" src="http://igorbarbosa.apostos.com/archives/060103_f_005.jpg" width="240" height="390" /></div>O amor pode ser perfeito, mas as pessoas hão de sempre estragá-lo. A principal causa, penso, é a linguagem – imagino um casal plenamente feliz, ele falando javanês e ela húngaro, o amor nos toques e olhares, na comida que ela cozinhou para os dois, na massagem nas costas que ele fez nela. E nem precisam se amar tanto quanto um casal homófono; vão brigar muito menos e vão sempre se dizer muito mais. Todos se amariam com perfeição se fossem mudos.

<p>Mas este tipo de amor precisa de proximidade para ser expressado; e se um dos amantes, sei lá, viajasse? Graham Bell, num mundo de mudos, não teria criado um aparelho de transmissão de sons, mas de imagens. O amado foi participar de um seminário no Mato Grosso; ao chegar, manda uma foto dele na porta do evento, o que além disso o impediria de cair na gandaia em Fortaleza. Uma foto de um sorriso da amada e a conversa estaria concluída, com muito mais dito do que as palavras permitiriam. Sabemos, uma imagem vale mais que mil palavras; ocorre-me, por isso, a desvantagem de que as tarifas seriam bem maiores -  sempre arranjam um jeito de confundir valor e custo.</p>]]>

</content>
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<title>Agora só depois dos Panettones</title>
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<modified>2006-07-07T05:47:31Z</modified>
<issued>2005-12-22T19:28:10Z</issued>
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<created>2005-12-22T19:28:10Z</created>
<summary type="text/plain">Então, feliz natal pra todo mundo. Abraços....</summary>
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<name>Igor</name>
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<email>igorbarbosarj@bol.com.br</email>
</author>

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<![CDATA[<p>Então, feliz natal pra todo mundo.</p>

<p>Abraços.</p>]]>

</content>
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<title>Sinistro, pausa, destro, pausa, pausa</title>
<link rel="alternate" type="text/html" href="http://igorbarbosa.apostos.com/archives/2005/12/sinistro_pausa.html" />
<modified>2006-07-07T05:47:27Z</modified>
<issued>2005-12-14T13:15:14Z</issued>
<id>tag:igorbarbosa.apostos.com,2005://12.1137</id>
<created>2005-12-14T13:15:14Z</created>
<summary type="text/plain">O problema talvez seja a pressa. Muitas coisas me tem acontecido antes do tempo regulamentar, o que para mim é apenas a prova de que não existe tempo regulamentar. O tempo é um truque, não a regra; o tempo é...</summary>
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<name>Igor</name>
<url>http://igorbarbosa.apostos.com</url>
<email>igorbarbosarj@bol.com.br</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://igorbarbosa.apostos.com/">
<![CDATA[<p>O problema talvez seja a pressa. Muitas coisas me tem acontecido antes do tempo regulamentar,  o que para mim é apenas a prova de que não existe tempo regulamentar. O tempo é um truque, não a regra; o tempo é uma rasteira.<br />
Com certeza diagnósticos de problemas são problemas. Problemas precisam de terapia, não de descrições. <br />
<center>*</center><br />
Aos 16 anos, eu era um amálgama de marxista, socialista utópico e anarquista/straight edge. Não sei exatamente o que me atraía nessas doutrinas; talvez o fato de que o luxo alheio é incômodo. Disso se conclui, com algum lubrificante mental, que a propriedade é roubo. A Igreja nunca me ajudou nesse sentido; a pregação de justiça social me parecia mais utópica do que nesse tempo eu julgava que devia ser. Deus era um conceito confuso e mutável na minha cabeça. Terrorismo passou pela minha cabeça algumas vezes (mansões, zoológicos e rodeios).<br />
Então eu fui pra faculdade. Marxistas, Socialistas utópicos e Anarquistas / Straight Edges não são precisamente o que alguém chamaria de espécimes raros em um Instituto de Filosofia. Ninguém gosta de espelhos que só mostram seus defeitos; e esses espelhos mostravam muitos defeitos.<br />
Pouco tempo depois, conheci os blogs - lembro do roteiro: Da página inicial de um grande portal para uma coluna; desta coluna para o <a href="http://www.homemchavao.com" target="_blank">Homem Chavão</a>; daí para <a href="http://www.wunderblogs.com/soaressilva/" target="_blank">Alexandre Soares Silva</a> e de lá para o mundo. Criei meu primeiro blog, por assim dizer, em Janeiro de 2004; e já então era profundamente direitista. Sinistro, pausa, destro.<br />
<center>*</center><br />
É muito confortável estar na esquerda, dependendo de quem está por perto. É muito confortável estar na direita, dependendo de quem está por perto. Se são seus correligionários, os olhos aprendem a enxergar as qualidades e a não ver os defeitos. Se são seus oponentes, basta exagerar uma característica sua - inteligência, beleza, bondade  - e eles parecerão muito piores que você. É muito simples. E tudo que é muito simples é agradável, mas não para a vida inteira.<br />
Em algum momento, eu avisei que não ia mais falar de política. O assunto me cansou, de verdade. Mas fiquei devendo os motivos desta decisão.<br />
A primeira coisa é que o assunto é cansativo e inútil. Não compreendo como algumas pessoas maduras, inteligentes e esclarecidas puderam tomar posição sobre coisas como a guerra no iraque - porque se eu for contra a guerra, isso me põe numa companhia indesejada, e faz parecer que Saddam não me incomoda; e se eu for a favor, faz parecer que eu gosto de guerras, gosto de civis mortos, cidades bombardeadas e crianças machucadas. Nenhuma das posições é adequada para mim.<br />
Na época eu me declarei algumas vezes a favor da guerra. Já me declarei liberal, em economia. Já me declarei a favor do estado mínimo. Caí naquele extremo oposto ao comunismo que cancela o ódio aos ricos, substituindo-o pelo ódio aos pobres; ódio que, ironicamente, parece ser o vício mesmo da esquerda brasileira, de atribuir todos os problemas sociais do país à pobreza de sua população. <br />
Mas há coisas que são evidentes - por cima, ou por baixo, das dicções pós-graduadas que discutem estes assuntos, estão os milhões de dólares que o governo dos EUA gastou invadindo um país no Oriente Médio, e os milhões de Iraquianos e Curdos que certamente não estavam <em>felizes</em> durante o governo do Saddam; os milhões de dólares, euros e reais que movimentam a economia anualmente, e os milhões de pessoas que não participam desse mecanismo; os milhões de funcionários públicos inúteis e os milhões de pessoas que precisam de serviços públicos indisponíveis por falta de funcionários. Toda discussão política, econômica, sociológica e assemelhadas está baseada, cercada e coberta de contradição.<br />
Percebi, lentamente e com uma pequena ajuda de alguns amigos, que o liberalismo econômico comete o mesmo erro fundamental do comunismo: Atribuir ao tempo a solução dos problemas econômicos e sociais. Para usar a linguagem da última aposta, as pessoas sabem quais são os problemas, mas têm preguiça de resolvê-los; por isso apelam ao estado ou ao mercado para crer que a responsabilidade repousa em mãos maiores. O que não lembram é que o estado, o mercado, a igreja, as empresas, todas as associações de pessoas são, no princípio e no fim, associações de pessoas. O que as pessoas não fizerem os grupos não farão.<br />
A diferença básica entre o comunismo e o liberalismo se dá na análise que fazem da natureza humana; e ainda assim ambos erram. A natureza humana não se presta a análise, porque uma pessoa nunca pode ser vista de todos os ângulos em um único momento, por um único olho; e mesmo que pudesse, faltaria um cérebro humano capaz de, num único movimento mental, captar a mensagem completa. A natureza humana é um isca para os que se acham inteligentes. Posso evocar São Francisco de Assis para representá-la, assim como Stalin; posso falar da Capela Sistina ou da chacina na Candelária; e ainda assim estou falando de um ou dois polos da natureza mais multipolar que se pode imaginar.<br />
Por isso não quero mais me associar com quem só quer fazer cama-de-gato com idéias. Teoria política é um termo sádico; porque toda teoria se presta a tratar seu objeto elasticamente, mas as pessoas não são elásticas. Corações se quebram, todos os dias, por diferentes motivos.<br />
Também não quero me associar com quer fazer uma gritaria - denúncias não me atraem. As coisas estão óbvias, o tempo todo, e ocultas o tempo todo; porque as pessoas estão completamente expostas, ao mesmo tempo que se escondem num sacrário. Todas precisam de uma veste e de um guia que as tire do esconderijo, porque o mundo é para ser visto e experimentado; mas não é na natureza humana que encontrarão este guia, e não é o mundo que lhes dará esta roupa. Nós, cristãos, sabemos e intuimos que é uma pessoa; e pela vinda desta pessoa ansiamos e rezamos, sempre, sempre.</p>]]>

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<title>Soneto sobre amor e preguiça</title>
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<![CDATA[<p>Amar às vezes dá uma preguiça!<br />
De tanto amor meu corpo está cansado<br />
e minha mente morta. Tenho fixa<br />
a impressão que o amor é uma pá do</p>

<p>Mais puro ferro, o mais pesado aço,<br />
que não refletem bem do amor a carga:<br />
O amor que oferto pesa como um traço;<br />
já o que peço, a força humana embarga.</p>

<p>Amar é cansativo. Eu sei, pois amo<br />
e canso-me do amor, que é uma batalha,<br />
que perco e venço uma vez por minuto.</p>

<p>Mas se não vou à ela, logo escuto<br />
Do Amor a lição que aos covardes calha:<br />
<em>Se tens preguiça, mais e mais te chamo.</em></p>]]>

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<title>Uma pergunta</title>
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<![CDATA[<p>Desde o fim da minha infância, tive duas intuições contrárias e alternadas, que acredito serem as primeiras intuições de cada um que, deixando o convívio exclusivo da família, ingressa em outros grupos e conhece outras pessoas; eventos que poderiam ser tomados como definição de fim da infância, pois essas intuições são, respectivamente, um afastamento da atmosfera infantil por excelência, que aqui considero a confiança absoluta, e um aprofundamento do ser nesta atmosfera. Essas intuições me invadiram a alma como forças violentas contrárias; e sabe-se que forças contrárias atuando sobre um corpo geralmente conseguem pouco mais que a deformação ou a explosão deste corpo; se houver a terceira possibilidade de um deslocamento, este não será numa direção definida, mas aleatório e puramente inútil; e se o corpo for resistente o suficiente para resistir a estas forças, será também rígido o bastante para não se mover de forma alguma; e neste caso a imobilidade é sintoma de morte.</p>

<p>Estas duas intuições que se abateram sobre mim, neste dias em que com certeza eu não era resistente o suficiente para manter uma filosófica imobilidade, uma racional indecisão - e por isso dou graças a Deus - eram, portanto, uma sensação de fraternidade universal e uma outra contrária, de inimizade universal.</p>

<center>*</center>

<p>A primeira me arremessava a alma ao mundo, como extensão da minha casa, onde havia irmãos e irmãs e tias e primos aos milhões; onde todos eram amigos em potencial; onde tudo me esperava amorosamente para cuidar de meus interesses. Num mundo assim, eu poderia desconsiderar o muro de minha casa; onde eu estivesse, aí estaria o meu quintal, e onde houvesse uma pessoa, aí haveria um amigo.</p>

<p>A segunda me lembrava que a mão que dava o doce também o sabia tomar; e se para dar tinha um gesto, para o roubar tinha cem. Entrevia nos olhos de todos - não importando sua idade ou posição em relação a mim - uma perpétua ameaça. Os conselhos paternos, que tiveram o mérito de evitar-me grandes problemas, tiveram também a virtude de acentuar a diferença entre o mundo externo, onde todos eram lobos, e a casa, onde um amor decidido e ciumento unia a todos. O abismo entre o quintal e a calçada foi-se tornando mais e mais intransponível.</p>

<p>Claro, não passei toda minha infância em reclusão; havia o colégio, havia a igreja; havia até os outros meninos da rua. Mas no contato com todos fora de casa, um grande sinal de <em>Cuidado!</em> era sempre ativado em meu cérebro, de modo que se o desrespeitei alguma vez, sabia certamente o que estava fazendo - e teria de certa forma merecido qualquer conseqüência desagradável que se seguisse.</p>

<p>E foi justamente o convívio que, pouco a pouco, desmanchou a bicolor confusão de meu cérebro; porque no colégio, na igreja, na rua, em todo lugar onde houvesse gente alheia à casa, confiei em pessoas que me fizeram mal e desconfiei de pessoas que me fizeram bem (com um grande vice-versa).</p>

<p>Não foi senão há pouco tempo que concluí que não há abismos de amor e ódio; o amor está espalhado, e haverá amor onde quer que haja uma pessoa. Não poderia pensar diferente sobre um sentimento que é justamente uma das definições diretas de meu Deus.</p>

<p>E uma coisa curiosa que notei sobre o amor foi justamente que ele aparece com freqüência onde não o estamos procurando - no mendigo que, na padaria da esquina, me ofereceu a primazia no atendimento; no desconhecido que parou o carro para que eu atravessasse a rua com meu filho, minutos depois de outro motorista acelerar para que eu não atravessasse. As pessoas capazes de causar males, grandes ou pequenos, são também capazes de oferecer coisas boas. Em todos os casos - digo todos porque sei que no meu caso é assim - é uma questão de escolha. Sempre que por culpa minha algo ruim aconteceu, eu soube como poderia ter evitado aquilo. Porque eu não o fiz?</p>

<p>É esta pergunta que, podendo levar a muitos lugares, eu deixo aos olhos e à consciência do leitor, antes de a seguirmos através de seu caminho - Porque não o fizemos?</p>]]>

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<title>O que não se pode ver</title>
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<issued>2005-10-31T19:06:33Z</issued>
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<summary type="text/plain">Se o assunto deste texto e dos que se seguirão fosse um estudo sério, seria difícil escapar ao clichê de buscar no dicionário a definição do amor; na verdade, este hábito de atribuir ao dicionário a autoridade final na nomeação...</summary>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://igorbarbosa.apostos.com/">
<![CDATA[<p>Se o assunto deste texto e dos que se seguirão fosse um estudo sério, seria difícil escapar ao clichê de buscar no dicionário a definição do amor; na verdade, este hábito de atribuir ao dicionário a autoridade final na nomeação das coisas, e ao dicionarista a sabedoria suprema que nunca erra, não precisa ser analisada pela lógica para comprovarmos sua tolice; basta lembrarmos que trata-se de um lugar-comum, e nessa virtude poderia até ser correto, ou decorativo; mas não sendo jamais as duas coisas, não nos serve para início. Se este fosse um estudo sério, começaríamos pelo clichê; mas não me agrada nem a seriedade dos estudos nem dos clichês, e por isso, dispenso ambos.</p>

<p>Os bons escritores que o leitor e a leitora já terá lido decerto lhe ensinaram - pelo exemplo sutil da prática, e nunca, ou pouco, pela exibição pirotécnica do estilo - que não há mérito no texto que, querendo abordar um tema, já no primeiro parágrafo vai para um lado, quando o tema acena, vestido de púrpura, do outro lado; porque fazendo isso, o autor quer ter a chance de voltar ao esgotado parágrafo, para retomar seu caminho perdido. Ora, meu tema está em todo lado; posso atirar-me ao dicionarista todo-poderoso, que ainda no fim encontrarei o que procuro. Pelo menos o dicionarista supremo está lá, à minha espera; e se não há, como já disse, mérito em voltar ao que já disse, também não é mérito que estou buscando.</p>

<p>Aqui não posso me furtar a uma definição: Quem é o dicionarista? Como começou o dicionarismo? Porque tanta confiança é dada a este homem que dedica sua vida a declarar, em uma categorização gramática e cinco palavras de definição, que coisa é uma tertúlia, um junco - já crendo que uma tertúlia caiba em cinco palavras, e um junco em dois centímetros de altura por três de largura, em letras pretas no papel branco - que coisa é um nome?</p>

<p>O primeiro dos dicionaristas foi Adão; foi Deus que, tendo criado o céu e a terra, e todas as árvores e animais para habitarem a terra, deu ao nosso ancestral comum a tarefa de dar nome a cada um dos animais que habitavam a terra.</p>

<p>O trabalho de dar nomes, se foi com certeza o primeiro a ser praticado na terra, não se encerra em si; mas inclui necessariamente o trabalho de registrar os nomes, pois não haveria nenhum valor em decidir que aquele animal é um elefante, se depois não se pode lembrar que seu nome é elefante; a Bíblia omite este registro, se houve, mas pelo menos a memória de Adão para isso terá servido; tendo Adão sido, provavelmente, não apenas o primeiro homem, mas também o primeiro dicionário.</p>

<center>*</center>

<p>Mas tendo dado nome a tudo, Adão ainda guardava um nome dentro de si.</p>

<p>Não se achava entre <em>as feras da terra</em> uma que fosse semelhante a Adão; de forma que o espírito e a carne deste senhor estavam como que incompletos. Este defeito só poderia ser solucionado, sabemos hoje, pelo Amor; pois foi o Amor que fez Adão adormecer profundamente, e, tirando-lhe uma costela que sobrava, fez para ele a companheira que lhe faltava.</p>

<p>E hoje ainda sentimos, cada vez que amamos, aquela mesma realização: Eis a carne de minha carne e os ossos dos meus ossos; e sabemos sem saber que o destino de nosso amor foi preparado pelo verdadeiro Amor enquanto dormíamos; pois quando dormimos fechamos os olhos, e ninguém pode ver o Amor e continuar vivendo.</p>]]>

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