
800x600, pelo menos. Maximize a janela, por favor. E se você não está vendo esse blog direito porque usa algo além de IE, Firefox ou Opera, convenhamos, a culpa é minha?

Aos amigos solteiros (emendem-se), pensei em escrever uma série de textos sobre o que tenho pensado e aprendido com o conúbio doméstico. Algumas dicas poderiam revelar-se universais, ajudando outros seres desinteressantemente machos a evitar alguns perrengues com elas. Elas, vocês sabem quem (oi, vocês tão aí? Não tamos falando de nada importante não, só futebol, cerveja e bunda). Aí eu desisti, porque ficou claro que só sei uma coisa sobre como lidar com minha mulher (e possivelmente com todas): Nós, orangotangos, devemos adivinhar tudo que ela quer e cumprir em 4950% as expectativas, de preferência sem que ela precise pedir - o que eu considero muito vantajoso, pois minhas expectativas também costumam ser over-met.
O engraçado é que nisso reside a grande graça do casamento: "E serão uma só carne", tanto que a massagem que faço nas costas dela alivia até a minha dor - talvez seja mais correto dizer precisamente a minha dor, e fico no talvez, porque o assunto exige cautela. E a cautela que faz lento meu cérebro quando penso no modus operandi das mulheres também me leva à uma trincheira segura: Falo de mulheres em linguagem nada feminina, para evitar o ridículo do erro involuntário. Falo como homem; se errar, é culpa do cromossomo que me pôs aquela roupinha azul no berçário.
Mulheres pensam analogicamente e possuem sentimentos digitais; e provavelmente é melhor que os homens saibamos interpretar nos dois modos.
A desaprovação racional das mulheres será expressa ali naquela faixa, gradualmente aumentando à medida que você, meu amigo dono de casa, argumenta em favor da combinação calça branca com camisa preta que escolheu para ir à formatura da cunhada; porque por trás desse raciocínio analógico, gradual, cada vez mais perto do limite - está um núcleo digital, binário; fervente de SIMS e NÃOS decididos - um núcleo digital para uma aparência elegantemente analógica.
E nós hombres quedamos confusos porque nossos sentimentos são analógicos; podemos ter amigos de quem gostamos pouco, muito e PRA CARAMBA; podemos amar uma mulher (ou sentir por ela essa angústia tantas vezes confundida com amor, e tão plena de abandono que o erro seria não confundir) pouco, muito ou mais que nós mesmos; e apesar dessa riqueza (ou pobreza; em se tratando de sentimentos, que podem ocupar toda a casa, a perda de uma nesga de força é franca decadência) de estados internos, disfarçamos toda essa boiolice em expansões diretas V ou F.
E o que eu acho? Considerando tudo, é melhor que nós nos adequemos à leitura dos sinais femininos na mesma forma que eles nos são enviados - porque é nessa variedade que reside o mais belo, senão a soma, da imagem que elas projetam, e do amor que sentimos.
Posted by Igor at 05:34 PM | Comments (1)
Cresci no que as enciclopédias chamavam família nuclear; aos cinco ou seis anos achava que isso tinha algo a ver com a bomba, como se famílias menores pudessem se defender melhor. O fato é que meus primos quase todos moravam em outro estado, os mais próximos em outra cidade, e por isso toda minha infância aconteceu entre meus pais e meus irmãos. Nem conheci meus avós (nenhum dos quatro), apesar de que três estavam vivos quando eu nasci, e morreram quando tinha seis, nove e dezesseis anos, se não estou errado.
Assim, o mais perto que cheguei da morte foi com meus brinquedos perdidos e vidas gastas no videogame, mas eu jogava bem e o game over era raro.
Cresci sem saber como era a morte, exceto numa noite em que meu pai me comprou um desses balões de hélio que flutuam. Talvez pensando que o tal balão nunca subiria além do meu alcance, eu o soltei. O balão subiu muito rapidamente, e em menos de um minuto estava fora do que eu podia ver. Naquele dia experimentei pela primeira vez uma perda irreparável que mais tarde eu saberia que é o que sentimos quando morre alguém que amamos.
Eu soube quando morreu meu tio Diniz - meu tio de quem eu nunca tive tempo para ser muito sobrinho, mas tampouco a distância necessária para que ele não fizesse diferença em minha vida. Entre outras qualidades, o avô de minha prima. Naquele dia eu senti o mesmo que quando meu balão subiu - não que eu gostasse tanto do balão, eu mal o conhecia - o balão continuava existindo, mas eu nunca mais o veria. Ele estava simplesmente indo embora.
Da mesma forma, meu tio continuava existindo, ele estava simplesmente indo embora. Ele não se apagava do mundo e das lembranças pelo simples ato de morrer. Eu não poderia deixar de gostar dele só por causa disso. Mas eu nunca mais o veria.
A vontade de estar com ele nunca foi tão grande quanto no dia em que eu soube que nunca mais estaria com ele neste mundo.
Posted by Igor at 01:19 PM | Comments (10)
Oh, Porco, disse eu, que coisa, não?
Você não faz idéia de onde estamos,
Mas juro: Logo, na Praia de Ramos
Estaremos, se não errei a mão.
-
Que triste! Eu pensava que era hora
De dar-te este regalo, pois bem via
Que o efeito sobre ti da maresia
Tornava-te aromático; uma amora.
Mas vejo agora que estou enganado,
Não há mais porco algum! Triste ilusão!
Matei-te, porco, e foste devorado.
Oh, Porco, causas-me alucinação
Medonha; tremo embora acordado!
Não há aroma de amora, há indigestão!
Posted by Igor at 08:51 PM | Comments (1)
Este é um post fura-fila: André, o Kenji, tanto quer ler um post sobre sexo que pediu duas vezes. Aí vai.
O que mais me incomoda, quando se trata de sexo, é o verbo transar e todas as palavras daí derivadas. Nenhum puritanismo; é que se trata de uma palavra feia, esteticamente feia. O ato, que estou sempre muito inclinado a considerar larger than life, fica parecendo uma tremenda babaquice quando referido assim - transar.
Façamos assim: Podem fazer o que quiserem, o escambau. Mas não vão transar, porque isso é profundamente panaquinha - algo que atrizes fazem com atores em más novelas. "Transei com o Murilinho" - minha filha, teria sido melhor ficar em casa estudando sânscrito.
Para facilitar as coisas, imaginem uma pessoa realmente sexy - gosto não se discute, escolham entre Henry Miller ou Santa Teresa, Ella Fitzgerald ou Barry White, à vontade - e tentem imaginar essa pessoa fazendo o que se chama transar, esta versão plastificada do sexo, uma extração de espinhas de caráter lúbrico. Não funciona - porque o que se requere para transar é o que eles não tinham a oferecer: A sem-gracice de uma adolescente abaixando as calcinhas como se prestes a tomar banho.
Há muitos outros nomes para a coisa, que não escrevo aqui em respeito aos olhos mais castos. Mais uma vez, escolha livre. Da sinceridade de um Jair Beirola à dissimulação cínica das bandas de Glam Rock, cujos membros se utilizavam da onírica e hoje quase universalmente considerada ridícula designação fazer amor - isso com três ou quatro groupies por noite - tudo é melhor do que fazer sexo, não importa a duração, qualidade ou intensidade, e dizer que está transando.

Posted by Igor at 03:14 PM | Comments (6)
Pensei em escrever um livro confessional. O chato é que obras confessionais não podem ser publicadas por autores muito novos, então eu teria que esperar mais alguns anos.
Neste livro, eu contaria sobre quando cometia quase diariamente os sete pecados capitais, e o que é pior, muitas vezes apenas em pensamento; adicionando aos sete o oitavo pecado da covardia.
Desejei quase passionalmente escrever este livro. Já me sentia orgulhoso de meu próprio talento literário; mas escrevia apenas por inveja dos verdadeiros escritores. Mal havia produzido alguns parágrafos, e lembrei-me de uma excelente torta que minha mulher havia preparado: Fui buscar um pedaço, apesar de não sentir fome. Quando voltei, minha inspiração já se havia acabado; fiquei com tanta raiva que rasguei o papel em pedacinhos e bati com a cabeça na parede durante uns cinco minutos. Depois disso, já pensei algumas vezes em recomeçar a obra, mas estou me sentindo tão bem aqui, fazendo nada... Além disso, literatura não dá dinheiro.
Posted by Igor at 09:32 PM | Comments (2)