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Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz
Que os traços rascunhados pelos velhos
Meninos que habitavam nossas roupas
E nossos quartos, nossos municípios,
Nossas estantes, nossas livrarias,
Ainda estão visíveis. É injusto
O teu silêncio. Vem, luz, fala e diz
Que a luz ainda tem a mesma voz,
Que a voz da luz ainda faz-se ouvir
E às vezes até vêm lhe corrigir,
Pois a luz é criança, e quando fala
Os adultos lhe ralham, “fica quieta!” -
E a luz, quando é mandada se calar,
Se cala. Nada mais lhe satisfaz
Que ter sido ouvida – que falar.
Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz
Que os passos percorridos pelos outros
Pés que calçavam os nossos sapatos
E que pisavam este mesmo asfalto,
O mesmo barro, a mesma pedra, a areia,
Ainda não foram descaminhados.
Tua imobilidade é terrível
Como a inércia de um cadáver novo,
Que todos que vêem têm esperança
Que vá se levantar – ergue-te, luz,
Que sem a luz a vida não se faz;
Apenas se imita e se reduz.
Muda, ó luz, não estejas mais assim;
Que atestam bem teu triste, impróprio estado
Somente a água imóvel, o ar parado.
Por Igor, janeiro 6, 2006 01:25 PM
Encontrei o seu blog por acaso quando buscava dados para minha pesquisa na internet. Gostei do que li, ainda que eu tenha o hábito de desprezar 'egocentrismos' do gênero. Creio que eu devia estar lhe escrevendo para comentar seu último 'post' mas me interessa mais fazer um breve retrocesso até 29 de setembro, quando você transbordava sua insatisfação com o Rio de Janeiro. Não que interesse de fato, mas concordo com você em muitos aspectos e, apesar de nada do que foi mencionado ser inédito ou apresentar a situação através de um novo ângulo, seu desabafo foi divertido. E então começa a parte que me interessa comentar a respeito, e da qual você não pode ser responsabilizado, os benditos 'posts' alheios. Eu interpreto com espanto a aparente necessidade das pessoas em serem escutadas a qualquer custo, mas, cautelosa, percebo que tal afirmação me torna uma refém. Observei tanto 'achismo', com o perdão do neologismo, tanto senso-comum, que me senti desconfortável. Pareceu-me inútil tratar o assunto dessa maneira, uma vez que não se chegou a qualquer discussão interessante e todos, tratando o Rio na terceira pessoa, eximiram-se de suas responsabilidades enquanto cidadãos - palavra que periga perder sua significação original. É para reciclar clichês, sem que haja qualquer raciocínio? Então, rogo encarecidamente, abandonem a prática do uso de 'achismos' com sotaque intelectual, porque é extremamente vulgar, incrivelmente idiota e incita arrependimento pelo tempo perdido durante a leitura. Existe tanta informação interessante por trás de todas aquelas opiniões mal-forjadas.
Atenciosamente,
L. Barbosa
Obs.: Para quem se interessar por esta peleja há Maurício de Abreu, Nireu Cavalcanti, Sérgio Buarque de Holanda, entre outros. Boa leitura!
Posted by: L.Barbosa at janeiro 7, 2006 03:35 AM
"Somente a água imóvel, o ar parado". Drummond, do bom Drummond.
Posted by: Pedro Sette Câmara at janeiro 22, 2006 06:18 PM