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« dezembro 2005 | Principal | fevereiro 2006 »
A vida doméstica é uma repetição - mês igual a mês, dia igual a dia, minutos, segundos iguais. Os mesmos prazeres. As mesmas dores. Os mesmos exageros para os de fora "prazeres, dores, blá blá blá".
A vida doméstica o que é, então? É vida, e é doméstica. Não muito mais que isso. Quem quiser, basta estar vivo e se domesticar. Eu parei de morder faz tempo.
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O sol se levanta todo dia: Na verdade, é a terra que gira seu corpo inteiro, oferecendo sempre metade de si ao astro quente. A outra metade continua velada.
O sol se levanta todo dia: Não é o sol que se move, mas do ponto de vista do observador é como se ele corresse em volta da Terra, querendo provocá-la. A Terra se espreguiça no calorzinho, todo dia.
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Toda semana, ansiamos pelo corpo de Deus. Toda semana nos levantamos e vamos à casa dEle; recordar tranquilamente Sua paixão, como já disse alguém antes de mim.
Toda a semana, anseio pelo corpo de Deus. Toda semana me levanto e desejo ir à casa dEle; recordo sem tranquilidade sua paixão, e peço que abrevie os dias em que sua casa está assaltada...
Toda semana, a paixão se repete.
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O sol subiu - "De novo!", Deus pediu.
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Todo dia eu volto para casa. Queira Deus que todo dia eu encontre tudo como era ontem.
Por Igor, 09:00 AM | Comentários (3)
Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz
Que os traços rascunhados pelos velhos
Meninos que habitavam nossas roupas
E nossos quartos, nossos municípios,
Nossas estantes, nossas livrarias,
Ainda estão visíveis. É injusto
O teu silêncio. Vem, luz, fala e diz
Que a luz ainda tem a mesma voz,
Que a voz da luz ainda faz-se ouvir
E às vezes até vêm lhe corrigir,
Pois a luz é criança, e quando fala
Os adultos lhe ralham, “fica quieta!” -
E a luz, quando é mandada se calar,
Se cala. Nada mais lhe satisfaz
Que ter sido ouvida – que falar.
Fala de novo, ó luz, vem, fala, e diz
Que os passos percorridos pelos outros
Pés que calçavam os nossos sapatos
E que pisavam este mesmo asfalto,
O mesmo barro, a mesma pedra, a areia,
Ainda não foram descaminhados.
Tua imobilidade é terrível
Como a inércia de um cadáver novo,
Que todos que vêem têm esperança
Que vá se levantar – ergue-te, luz,
Que sem a luz a vida não se faz;
Apenas se imita e se reduz.
Muda, ó luz, não estejas mais assim;
Que atestam bem teu triste, impróprio estado
Somente a água imóvel, o ar parado.
Por Igor, 01:25 PM | Comentários (2)

Mas este tipo de amor precisa de proximidade para ser expressado; e se um dos amantes, sei lá, viajasse? Graham Bell, num mundo de mudos, não teria criado um aparelho de transmissão de sons, mas de imagens. O amado foi participar de um seminário no Mato Grosso; ao chegar, manda uma foto dele na porta do evento, o que além disso o impediria de cair na gandaia em Fortaleza. Uma foto de um sorriso da amada e a conversa estaria concluída, com muito mais dito do que as palavras permitiriam. Sabemos, uma imagem vale mais que mil palavras; ocorre-me, por isso, a desvantagem de que as tarifas seriam bem maiores - sempre arranjam um jeito de confundir valor e custo.
Por Igor, 01:09 PM | Comentários (2)