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A partir de agora este blog passa a ter somente um assunto.
Não escreverei sobre mais nada. Naïf Gendarme agora é um blog temático.
Este blog será, a partir deste post, exclusivamente sobre o Amor.
Porque o Amor é imenso; o amor é infinito. E a vida é curta demais. Começando agora, posso falar muito sobre o Amor, até morrer; ainda terei falado pouco.
Porque o Amor é o que há de mais alto, ele alcança mais embaixo. Não há lugar onde o Amor não chegue. O Amor está aqui do meu lado, afagando minhas costas com sua mão almofadada. O Amor está ao seu lado também, leitor ou leitora, e desejo que ele não seja como uma coceira em seu couro cabeludo; carícia ou chibatada, mas que você o sinta, não sutilmente, não vagamente, mas sólido e pesado. O Amor não conhece a sutileza, porque sutileza é mistura, e o Amor só existe puro.
Esse post é um compromisso e uma libertação.
Faz poucos disa, senti que estava lutando contra fantasmas, contra feras feitas de fumaça. Estava tentando agarrar objetos irreais. Tudo é tão irreal, exceto o que você pode sentir - e não há nada mais disponível para se sentir que o Amor. Basta ter algum espaço livre para o que é real; pois nada é mais real que o Amor. No Amor não existe ilusão, no Amor não acontecem enganos e mal-entendidos; porque o Amor é verdadeiro.
Mas perdemos décadas de nossa vida brigando com imagens, desejando lembranças, pensando sobre possibilidades. Eu não sou inteligente nem corajoso; tenho lutado - como Jacó lutou - contra alguém que não é uma abstração; tudo que quero é algo real; e a partir de agora só vou pensar sobre o que existe, e não há nada que exista mais que o Amor.
Gostaria de dar ao Amor tudo que tenho; por enquanto, à guisa de primeiro passo, dou-lhe este blog, que se é bem pouco, pelo menos é algo que existe; há quem destine ao Amor coisas tão belas quanto imaginárias, porque o Amor envergonha como mãe de adolescente (quando você é adolescente). A verdade é que todos nós sentimos certa gratidão pelo amor, todos queremos retribuir o amor a Deus, que é o mesmo que retribuir o amor ao Amor, mas muitos sentem vergonha disso; então nossa entrega, nossa oferta é inconfessa; o ato que praticamos por amor costuma ficar lançado em nosso livro-caixa mental com uma descrição enigmática, porque somos adultos e não acreditamos em contos de fadas. Não existe Amor, toda boca sensata proclama, enquanto as bochechas se incham de Amor travesso querendo sair. Estamos todos cheios de amor, e tentamos escondê-lo o mais possível.
Eu sou burro e fraco; não tenho inteligência para esconder o amor nem força para impedi-lo de sair. Ele que fuja, porque o Amor é a única coisa boa que se expande.
Por Igor, outubro 26, 2005 06:43 PM
É um ótimo assunto.
Posted by: jorge_nobre at outubro 31, 2005 12:18 AM
Ganhamos um Stendhal? Eu estive bem pensando no tema, a sinergia me abriu um sorriso merecido. :)
Posted by: P. at novembro 1, 2005 04:50 AM
Opa, secundo ("secundo"?) o comentarista "P." ali em cima =)
Boa sorte, ficamos aqui lendo.
Posted by: ELton at novembro 30, 2005 12:01 PM