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[Este texto foi publicado no meu blog antigo um dia depois da cerimônia de entrega do Oscar deste ano, e agora republico uma versão adaptada para a aposta#3 - veja mais aqui]
Não gosto de cinema, porque não gosto de quem gosta de cinema.
Gostar de cinema faz você ficar muito chatinho, como qualquer dileção artística. Gostar simplesmente não basta; é preciso categorizar seu gosto - primeiro gosta-se da forma de arte, depois elege-se uma escola ou estilo, daí um autor em especial. Tudo isso é causado pela vontade de parecer inteligente, e só precisa de um certo investimento de tempo para conhecer o negócio, mas o sujeito que chega nesse ponto dá-se arezinhos eruditos, usa óculos estranhos, e então já tudo está perdido.
Não gosto de cinema, por isso não entendo do assunto. Gosto de alguns filmes, mas me sinto mal ao perceber que a coisa se resume a isso - gosto, não gosto ou nem me interesso, caso mais comum e aplicável a todos os filmes concorrendo ao Oscar de qualquer coisa este ano. Já os comentários de um convidado da Globo (a memória, renitente, diz-me que era o José Wilker, mas a vergonha de sabê-lo impede-me confessá-lo) sobre os filmes citados me confirmavam a impressão de que Cinema é a maior chateação. Entender de cinema, então, é a maior chatice.
Quem gosta de cinema discute (palavra-lei) sobre enquadramento, fotografia, decupagem, etc. e eu me sinto tão mais burro quanto infinitamente mais clever. Elogia-se a maturidade de um filme, e eu penso Papai do céu, onde estás que não os fulminas com fogo e enxofre dos céus etc? Maturidade, Deus me livre - O que eles chamam de maturidade é pose de enfado, o estado de espírito adolescente por definição.
Não gosto de cinema porque não gosto de maturidade. Em nome dessa admirável virtude, o Wilker ficou felicíssimo quando uma musiquetinha espanholeta horrorosa, chatíssima, interpretada (outra palavra-lei) por um Antonio Banderas über-cafonão e um Carlos Santana que é simplesmente O Santana, o rei da vulgaridade instrumental, ganhou a estátua do careca. Ouvindo a peça, fiquei com a sensação que iam tocar Oye Como Va, quase uma expectativa - o Santana sempre quer tocar Oye Como Va - mas ficaram mesmo na babaquice de motocicreta, e com isso ganharam da música até que legalzinha do Counting Crows*, a nova banda do Chico César. E o mais ridículo são os fãs-desde-sempre, que nunca são fãs há mais de dois meses. Fenômeno verificado em Senhor dos Anéis, repetiu-se com O Aviador; vão deitar que todo mundo sempre admirou muito o Hughes sei-lá-quem. Hoje, sete meses idos pelo ralo, ninguém lembra, ninguém viu. Toda admiração eterna é tão rápida no parto quanto na morte.
Veremos agora se serei acusado de inveja ou frustração, outra palavra-lei dos babacas que não podem ver ninguém falando mal de algo que envolva dinheiro ou fama em escala maior que a própria vida de quem fala. Isso provará definitivamente minha superioridade intelectual; tomara até que alguém diga que tem pena de mim. Rá!
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* Accidentally in Love, música-tema de Shrek 2.
Por Igor, outubro 25, 2005 12:38 PM
Tenho pena de você, filisteu. :-))
Abraço.
Posted by: Nelson Moraes at outubro 28, 2005 12:12 PM
H. Klinton vs. Obama. How you think who will win elections?
Posted by: XXLKlintonLobby at março 20, 2008 09:21 AM