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A mão é articulada, e assim tateia.
Parece ter cinco almas, uma em cada dedo;
Cada alma (uma à outra) causa amor e medo,
E de amor e medo a mão se encontra cheia.
A mão tateia porque não tem olho.
Os olhos desconhecem deste braço a ponta,
E se a mão se lhes mostra, crêem que é afronta;
E o que buscam está ao lado, a grato escolho.
A semelhança sólida que a mão procura
É também semelhante à luz que os olhos vêem,
Mas ambos vivem sempre nessa lide dura.
Buscando longe um o que o outro tem,
Da mão a solidez morna, do olho a luz pura,
Tão perto, não se encontram; não o farão além.
Por Igor, setembro 12, 2005 03:09 PM
Triste se desencontrar com os outros. Pior se desencontrar consigo mesmo.
Posted by: Jorge Nobre at setembro 12, 2005 11:07 PM
oi, igor.
belo soneto.
não estranho que tu tenhas passado pelas letras.
eu tampouco.
aí vai um poeminha meu, engraçado, falando da mão. abraço.
www.ospatios.blogspot.com//
a mão de dentro//
como se a vida fosse em um só tempo/
a mão tartamudeasse os cantos de dentro/
a mão da dor a agarrar-se ao centro/
como se nesta rua corresse um só vento//
ah minha dor de bíblia, minha figueira estéril/
meu cachorro lento na tarde lenta/
por onde dentro na casa de Donne/
por onde vento na face dos livros//
como se a dúvida espessasse a cor/
a mão enregelada de anéis transparentes/
a mão de dentro a empurrar o peito/
como se dentro desta dor doesse dentro//
Posted by: marcodemenezes at outubro 5, 2005 04:57 PM