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agosto 05, 2005

Mulheres Analógicas

Aos amigos solteiros (emendem-se), pensei em escrever uma série de textos sobre o que tenho pensado e aprendido com o conúbio doméstico. Algumas dicas poderiam revelar-se universais, ajudando outros seres desinteressantemente machos a evitar alguns perrengues com elas. Elas, vocês sabem quem (oi, vocês tão aí? Não tamos falando de nada importante não, só futebol, cerveja e bunda). Aí eu desisti, porque ficou claro que só sei uma coisa sobre como lidar com minha mulher (e possivelmente com todas): Nós, orangotangos, devemos adivinhar tudo que ela quer e cumprir em 4950% as expectativas, de preferência sem que ela precise pedir - o que eu considero muito vantajoso, pois minhas expectativas também costumam ser over-met.

O engraçado é que nisso reside a grande graça do casamento: "E serão uma só carne", tanto que a massagem que faço nas costas dela alivia até a minha dor - talvez seja mais correto dizer precisamente a minha dor, e fico no talvez, porque o assunto exige cautela. E a cautela que faz lento meu cérebro quando penso no modus operandi das mulheres também me leva à uma trincheira segura: Falo de mulheres em linguagem nada feminina, para evitar o ridículo do erro involuntário. Falo como homem; se errar, é culpa do cromossomo que me pôs aquela roupinha azul no berçário.

Mulheres pensam analogicamente e possuem sentimentos digitais; e provavelmente é melhor que os homens saibamos interpretar nos dois modos.

A desaprovação racional das mulheres será expressa ali naquela faixa, gradualmente aumentando à medida que você, meu amigo dono de casa, argumenta em favor da combinação calça branca com camisa preta que escolheu para ir à formatura da cunhada; porque por trás desse raciocínio analógico, gradual, cada vez mais perto do limite - está um núcleo digital, binário; fervente de SIMS e NÃOS decididos - um núcleo digital para uma aparência elegantemente analógica.

E nós hombres quedamos confusos porque nossos sentimentos são analógicos; podemos ter amigos de quem gostamos pouco, muito e PRA CARAMBA; podemos amar uma mulher (ou sentir por ela essa angústia tantas vezes confundida com amor, e tão plena de abandono que o erro seria não confundir) pouco, muito ou mais que nós mesmos; e apesar dessa riqueza (ou pobreza; em se tratando de sentimentos, que podem ocupar toda a casa, a perda de uma nesga de força é franca decadência) de estados internos, disfarçamos toda essa boiolice em expansões diretas V ou F.

E o que eu acho? Considerando tudo, é melhor que nós nos adequemos à leitura dos sinais femininos na mesma forma que eles nos são enviados - porque é nessa variedade que reside o mais belo, senão a soma, da imagem que elas projetam, e do amor que sentimos.

Por Igor, agosto 5, 2005 05:34 PM

Comentários

Muito boa essa sacada de "analógicos e digitais", Igor. Ainda assim, a melhor coisa desse post foram as observações entre parênteses. "Essa angústia tantas vezes confundida com amor, e tão plena de abandono que o erro seria não confundir". Um achado. :)

(Igor: Bondade sua, Edson. Volte mais vezes)

Posted by: Edson at agosto 8, 2005 07:10 AM

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