
800x600, pelo menos. Maximize a janela, por favor. E se você não está vendo esse blog direito porque usa algo além de IE, Firefox ou Opera, convenhamos, a culpa é minha?

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Enquanto isso, meu stumble.
Por Igor, 06:27 PM | Comentários (1)
Se uma garota é amaldiçoada 200 anos antes de Cristo, como ela podia ser muçulmana?
Por Igor, 09:50 PM | Comentários (5)
Voavam dentes-de-leão. As estudantes de enfermagem passavam por ele, que passava por elas. Uma tinha cheiro de hospital. Ele se sentiu ofendido com aquilo tudo.
Outra era gorda e branca, não de uma brancura rósea ou pálida, mas amarela (um branco amarelo, bege). Cor de camisa promocional envelhecida. Cheiro de nada. Tamanho de passar sob seu braço, se o levantasse; pensava nisso quando da bolsa dela caiu uma carteira. Ele pegou e foi atrás, ela continuou andando até a mão pesada tocar-lhe os ombros:
-Aah!
-Calma. Você deixou cair isto, - estendendo a carteira, a frase ainda no meio; ela recebeu interrompendo:
-Obrigada - ofegante.
Ele foi pro canto da calçada, ela foi embora com passos curtos e mais velozes. Suspirando, reprovava-se pela timidez, sonhando com o próximo encontro, quando um caminhão a destroçou no cruzamento que pisara sem notar. Ele estava olhando para o outro lado.
No dia seguinte, decreto municipal proibiu o tráfego de veículos pesados naquela avenida.
Por Igor, 01:50 PM | Comentários (1)
Estava preparando esse texto - com o shift apertado para digitar a primeira letra da frase, maiúscula - e, enquanto pensava sobre o que escrever, o windows me disse que manter a tecla apertada por cinco segundos habilita uma função qualquer que não me interessou, e eu mandei desabilitar.
Nada errado nisso; a máquina tinha a instrução de ligar essa opção se algum usuário, consciente ou não do que faz, resolvesse atender à condição que lhe ensinaram. Se o windows não ativasse o sticky keys, isso seria um erro; eu não perceberia, mas ainda assim.
Pensei nas estórias em que sinais são combinados entre pessoas - e um incauto, sem querer, se encaixa perfeitamente na descrição, na mesma hora e lugar - e com a ausência do contato realmente esperado. Em especial, uma história antiga do mickey, publicada num dos primeiros números do Pato Donald - A minnie deseja um chapéu vermelho e, usando-o, é confundida com uma outra rata que levaria um rubi para uma quadrilha e deveria ser interceptada por um homem com uma caixa de bombons, para que este a levasse ao esconderijo. A rata aquela encontra o mickey, que leva uma caixa de bombons para a minnie. Assim os dois, por causa de um chapéu, resolvem um caso de roubo de jóias.
Por causa de um chapéu, na vida real muito provavelmente seriam apenas mortos. E por coisas assim - por um chapéu, por um chocolate, por ler um blog - por gostos e desejos prosaicos, que não deveriam dizer nada, muitas vezes há quem deseje ver em nós o que não há. Assim como usar um chapéu transforma uma rata em uma ladra de jóias, talvez ler este texto esteja transformando você num membro de uma sociedade internacional de espionagem, por exemplo.
Em "Moscou contra 007", as senhas e contra-senhas para identificação de espiões do serviço secreto britânico são algo como "O senhor tem fósforos?" "Uso isqueiro" "Tanto melhor" "Enquanto funcionam". Neste caso, basta alguém pedir fósforos e responder que isqueiros são melhores para ser tomado por um espião. No caso de um fumante, as probabilidades de algo do tipo acontecer são bem altas.
Chesterton escreveu que somente o homem louco acha que tudo tem um motivo; isso porque acha que todos estão em perpétua conspiração contra ele, e por isso se aquele senhor assobia Penny Lane, isso é um sinal combinado entre eles para atacá-lo. Não lhe ocorre que ele simplesmente tenha vontade de assobiar; todo doido se acha o centro do mundo, e todas as ações humanas devem levá-lo em conta de alguma maneira.
Daí é muito simples chegar a uma conclusão segregacionista - quem faz isso é paranóico, ou bandido, ou tem algo a esconder - não nós, pessoas normais, 90% da população. Se é assim, então 90% das gentes do mundo são loucos, bandidos ou espiões - porque é justamente essa maioria, da qual conheço uma pequena amostra, mas provavelmente representativa da totalidade, que vê nos atos descomprometidos, desmotivados, que mesmo esses 90% praticam diariamente - tudo, ameaças e sinais combinados, relatórios e pedidos de reforços - tudo, menos a simples e humana vontade de usar um chapéu ou assobiar.
Por Igor, 01:03 PM | Comentários (4)
Sou uma pessoa de poucos ídolos. Meu ego exagerado, conseqüência natural de meu imenso talento para tantas atividades diferentes, me impede de admirar outras pessoas. Mas confesso, aqui, que gosto muito de Sandy e Junior.

Ela usa um capacete para respirar no fundo do oceano. Ele jogava futebol. Palmas para Sandy e Junior, senhoras e senhores!
Por Igor, 07:35 PM | Comentários (1)
(Para a Aposta#1 - veja aqui e saiba mais aqui. Vejam também a Dani, o Rinoceronte e o Porco)
Desde criança tive medo de cachorros. Os cães da rua, grandes como leões para meu metro e vinte de quinze anos atrás, não eram cães de rua - comuns em bairros residenciais e distantes - eram feras violentíssimas com dentes mui agudos, e um imenso ódio à minha pequena e adorável pessoa.
Entende-se, sem que eu tenha que dizer (mas digo), que nunca tive um cachorro. Não parando na hostilidade com os cachorros de rua, era sempre desconfiado que entrava nas casas de pessoas que tinham um daqueles assassinos peludos no quintal.
Simples lógica infantil; se tem dente é para morder, pois para sorrir decerto não é. Desesperava vendo humanos - meu suposto lado na guerra fria - acolhendo e alimentando em suas casas os inimigos. Na minha casa, nunca.
Isso tudo foi antes da proclamação da república, pois a mim me parece que tornei-me namorado de minha atual mulher, senhôura, esposa e cônjuge durante o governo Washington Luís; e ela mesma tinha um cachorro. O inimigo infiltrado chama-se Vicky.
A convivência entre nós dois (eu e o cachorro) foi-se tornando menos tensa após alguns anos, à medida que eu inventava apelidos carinhosos para ele, como Extreme Fungus, Cabeça-de-Fluff (é um poodle) e o mais habitual de tempos para cá, Comunista. As três coisas ele é, e não vai nisso ofensa que exagere a realidade; e tão comunista que quis votar no plebiscito contra a Alca e vive dizendo que a Venezuela é o país mais democrático da América do Sul.
Bem que eu queria mandá-lo para Cuba. Agora eu tenho um filho, e não gosto muito dos olhares gulosos que o bicho dá para ele. Simples lógica adulta: Cachorro, comunista, fabricante de luvas de boxe, se tem dente é para morder.
Por Igor, 01:22 PM | Comentários (8)
Aos amigos solteiros (emendem-se), pensei em escrever uma série de textos sobre o que tenho pensado e aprendido com o conúbio doméstico. Algumas dicas poderiam revelar-se universais, ajudando outros seres desinteressantemente machos a evitar alguns perrengues com elas. Elas, vocês sabem quem (oi, vocês tão aí? Não tamos falando de nada importante não, só futebol, cerveja e bunda). Aí eu desisti, porque ficou claro que só sei uma coisa sobre como lidar com minha mulher (e possivelmente com todas): Nós, orangotangos, devemos adivinhar tudo que ela quer e cumprir em 4950% as expectativas, de preferência sem que ela precise pedir - o que eu considero muito vantajoso, pois minhas expectativas também costumam ser over-met.
O engraçado é que nisso reside a grande graça do casamento: "E serão uma só carne", tanto que a massagem que faço nas costas dela alivia até a minha dor - talvez seja mais correto dizer precisamente a minha dor, e fico no talvez, porque o assunto exige cautela. E a cautela que faz lento meu cérebro quando penso no modus operandi das mulheres também me leva à uma trincheira segura: Falo de mulheres em linguagem nada feminina, para evitar o ridículo do erro involuntário. Falo como homem; se errar, é culpa do cromossomo que me pôs aquela roupinha azul no berçário.
Mulheres pensam analogicamente e possuem sentimentos digitais; e provavelmente é melhor que os homens saibamos interpretar nos dois modos.
A desaprovação racional das mulheres será expressa ali naquela faixa, gradualmente aumentando à medida que você, meu amigo dono de casa, argumenta em favor da combinação calça branca com camisa preta que escolheu para ir à formatura da cunhada; porque por trás desse raciocínio analógico, gradual, cada vez mais perto do limite - está um núcleo digital, binário; fervente de SIMS e NÃOS decididos - um núcleo digital para uma aparência elegantemente analógica.
E nós hombres quedamos confusos porque nossos sentimentos são analógicos; podemos ter amigos de quem gostamos pouco, muito e PRA CARAMBA; podemos amar uma mulher (ou sentir por ela essa angústia tantas vezes confundida com amor, e tão plena de abandono que o erro seria não confundir) pouco, muito ou mais que nós mesmos; e apesar dessa riqueza (ou pobreza; em se tratando de sentimentos, que podem ocupar toda a casa, a perda de uma nesga de força é franca decadência) de estados internos, disfarçamos toda essa boiolice em expansões diretas V ou F.
E o que eu acho? Considerando tudo, é melhor que nós nos adequemos à leitura dos sinais femininos na mesma forma que eles nos são enviados - porque é nessa variedade que reside o mais belo, senão a soma, da imagem que elas projetam, e do amor que sentimos.
Por Igor, 05:34 PM | Comentários (1)
Link no Uol: Trabalhar com aborto é ato heróico, diz cineasta
Declaração do cineasta Todd Solondz na Entrevista: "Os Estados Unidos são o único país do mundo onde a pessoa que trabalha com abortos é vista como um herói, da mesma maneira que os policiais ou os bombeiros."
Boa, UOL. É assim mesmo.
Por Igor, 01:43 PM | Comentários (1)