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julho 14, 2005

Dez hoje, dez amanhã

Meu pai serviu à Marinha. Entrou pelo alistamento em 1960, eu acho - pouco mais ou menos. Estava lá quando houve a revolução, ou golpe, ou festa da goiaba de '64. As estórias são engraçadas; principalmente nos detalhes que o presente confundia, justamente por ser presente, e hoje parecem tão claros na versão quase oficial que nossos professores de história cospem, ano após ano, nas cabeças ensinomedianas.

Mas o lado bom de servir a Marinha era com certeza o fato de ele viajar muito. Certa vez, ele estava em Lisboa - Por algum motivo que agora não me lembro, na primeira vez que eles foram a Portugal, os brasileiros eram muito populares por lá; na segunda menos, e na terceira ignorados ou hostilizados.

Então, na terceira viagem, chegou um gajo perguntando a meu pai (que na época não era meu pai): "Ô pá, é então verdade que lá no Brasil se matam pessoas?"

E o Sargento Eraldo, de folga e levemente etilizado, respondeu ao patrício: "Rapaz, a coisa lá tá tão feia que eles matam dez hoje e amarram dez no poste pra matar amanhã".

Needless to say, o portuga ficou meio chocado.

Por Igor, julho 14, 2005 01:06 PM

Comentários

eu sempre tive medo de servir. por sorte arrumei um peixe e me salvei.

medo de disciplina.

Posted by: tiagón at julho 15, 2005 02:43 PM

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