Naïf Gendarme

19 19UTC abril 19UTC 2009

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 8:01

Será verdade, então, que a identidade cultural brasileira é a própria diversidade cultural? Parece ser. Suponhamos, para a saúde e durabilidade deste texto, que o extrato concentrado de cultura brasileira seja uma roda de capoeira com Margareth Menezes, e não tenho motivos para duvidar que seja, acidentalmente.

É por isso que escrevi um “parece ser” lá em cima. Isso, meus amigos, é redigir um texto.

Nem venham ler pulando palavras e falar besteira nos comentários, ok? Vou parecer racista daqui a pouco. Nonetheless, meu avô paterno conseguiu a imensa proeza de nascer em 1888 e mesmo assim ser escravo até a adolescência. Você poderia dizer, se pedisse licença, que sendo a escravidão ilegal desde o momento em que ele nasceu, e a de filhos de escravos desde a lei anterior do ventre livre, ele foi escravizado não por ser negro, filho de negros também escravos, mas por ser azarado. E eu, com toda a educação que o sistema de cotas um dia talvez me proporcione, te mandaria pastar.

Buena. Eu ia dizendo que uma coisa será tão ou mais brasileira quanto mais tiver rodas de capoeira e Margareth Menezes, e isso me soou algo tão legal quanto dizer que uma coisa fica suficientemente americana se tiver 50 cent e um tio preto com bicho de pé, conhecedor de mojos, mississipesco. Tão legal quanto, e tão falso quanto, uma vez que all things american costumavam, até pouco tempo atrás, incluir uma boa e grossa dose de racismo ou no mínimo tensão racial.

Eu disse all things american referindo-me a todos os países dos continentes assim chamados americanos, vespucianos ou colombianos, permitindo até que vossa senhoria os chame de cristoforonianos se assim vos agrada. Olhar o Brasil por três minutos e negar que este é um paizinho fedido de racismo é sacanagem, não dá nem para começar a responder isso.

E mesmo assim, rodas de capoeira com Margareth Menezes continuam sendo uma merda, e é uma merda que um brainstorm tendo o Brasil como mote sempre será shitstorm. Como merda é uma coisa que acontece, segundo o livro dos provérbios de camisa, esperemos pelo dia em que, nos EUA e em todos os países que têm um choque racial como um dos elementos constitutivos, acontecerá o mesmo.

Mas não me levem a sério, são cinco da manhã e eu devo estar pensando besteira por ter assistido isto e isto, um atrás do outro, ontem de noite.

14 14UTC abril 14UTC 2009

u can find me in da club

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 19:01

1.jpg2.jpg3.jpg

6 06UTC abril 06UTC 2009

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 11:46

Acordei hoje querendo defender uma coisa indefensável, isto é, algo que ninguém tem coragem de defender por receio de parecer boçal, mas que pode ser perfeitamente elogiado, como os pombos, cuja defesa seguirá de premissas mais discutíveis e uma argumentação mais sutil, elaborada e complexa e que portanto ficará para uma próxima ocasião.

A lista de coisas que pensei em defender é esta:

1 – Charlie Brown Jr2 – Zorra Total3 – Telemarketing4 – Pizza doce5 – Antimônio

O que é obviamente uma lista falha. Não dá para falar bem de pizza doce. Sábado eu vi uma de brownie – São Sebastião, rogai por nós, pizza de brownie? No way, José.

É tão mais fácil reclamar.

2 02UTC abril 02UTC 2009

Na pedrada

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 2:08

Eu já disse aqui mesmo no blog que zeitgeist comigo é na pedrada, e continuaria sendo se eu não tivesse descoberto recentemente que pedrada agora tem conotação sexual. Não quero ser imaginado making sweet, sweet love to the zeitgeist. Agora chamo o exorcista.

Por outro lado, acho bom que a sexualidade empreste seus verbos dos quadros violentos da linguagem – prefiro termos como “pedrada” e “madeirada” a outros que correm mundo para descrever os naughty acts que o povo faz por aí. Lembro que, do único livro de Jorge Amado que li, a única coisa boa que me lembro era o verbo com que o velho comunista descrevia os atos físicos: Derrubar, as in “derrubar negrinhas na areia”, coisa que, se eu fosse um pivete soteropolitano, acharia muito apropriado. Como não sou, não acho, e não apenas por ser casado como por não aprovar essas safadezas, não sairei derrubando branquinhas nem negrinhas na areia, até porque moro longe da praia.

Mas se, em algum momento, um ato sexual vai ser indicado verbalmente, que fiquemos assim: É uma luta. Tratemo-lo como tal. Isso me lembrou um trecho do Gustavo Corção, em que ele comparava o casamento a um duelo: Em ambos há padrinhos, que verificam a igualdade das armas e tentam uma última reconciliação. No casamento, as armas são muito desiguais, e as oportunidades de reconciliação serão muitíssimo abundantes, pois a duração da contenda entre os cônjuges é a mesma que a daquela entre os duelistas: até que a morte os separe.

Powered by WordPress