Será verdade, então, que a identidade cultural brasileira é a própria diversidade cultural? Parece ser. Suponhamos, para a saúde e durabilidade deste texto, que o extrato concentrado de cultura brasileira seja uma roda de capoeira com Margareth Menezes, e não tenho motivos para duvidar que seja, acidentalmente.
É por isso que escrevi um “parece ser” lá em cima. Isso, meus amigos, é redigir um texto.
Nem venham ler pulando palavras e falar besteira nos comentários, ok? Vou parecer racista daqui a pouco. Nonetheless, meu avô paterno conseguiu a imensa proeza de nascer em 1888 e mesmo assim ser escravo até a adolescência. Você poderia dizer, se pedisse licença, que sendo a escravidão ilegal desde o momento em que ele nasceu, e a de filhos de escravos desde a lei anterior do ventre livre, ele foi escravizado não por ser negro, filho de negros também escravos, mas por ser azarado. E eu, com toda a educação que o sistema de cotas um dia talvez me proporcione, te mandaria pastar.
Buena. Eu ia dizendo que uma coisa será tão ou mais brasileira quanto mais tiver rodas de capoeira e Margareth Menezes, e isso me soou algo tão legal quanto dizer que uma coisa fica suficientemente americana se tiver 50 cent e um tio preto com bicho de pé, conhecedor de mojos, mississipesco. Tão legal quanto, e tão falso quanto, uma vez que all things american costumavam, até pouco tempo atrás, incluir uma boa e grossa dose de racismo ou no mínimo tensão racial.
Eu disse all things american referindo-me a todos os países dos continentes assim chamados americanos, vespucianos ou colombianos, permitindo até que vossa senhoria os chame de cristoforonianos se assim vos agrada. Olhar o Brasil por três minutos e negar que este é um paizinho fedido de racismo é sacanagem, não dá nem para começar a responder isso.
E mesmo assim, rodas de capoeira com Margareth Menezes continuam sendo uma merda, e é uma merda que um brainstorm tendo o Brasil como mote sempre será shitstorm. Como merda é uma coisa que acontece, segundo o livro dos provérbios de camisa, esperemos pelo dia em que, nos EUA e em todos os países que têm um choque racial como um dos elementos constitutivos, acontecerá o mesmo.
Mas não me levem a sério, são cinco da manhã e eu devo estar pensando besteira por ter assistido isto e isto, um atrás do outro, ontem de noite.



