
nunca, Flamengo, eu nunca consegui entender como algumas pessoas conseguem não te amar, e não consigo entender também o contrário: por que aderimos literalmente – colando a pele nessa camisa listrada de vermelho e negro – a esse time que não ganha nada, não faz nada demais, nunca impressiona se o assunto é sério? sai pra lá com esse negócio de campeonato carioca, com esses ridículos torneios de basquete e de ginástica olimpica. isso não é de nada. também, até o futebol é nada, eu não assisto nenhum jogo, nem as finais, muito menos as finais. é fácil e clichê dizer que afinal resultados são coisa menor, e parabéns a quem os tem mesmo assim, desejo-lhes muitos gols ainda, de preferência sobre o atlético mineiro, o inter ou o coritiba, que para mim são coisa que não fede nem cheira tanto quanto qualquer outro time disputando o campeonato brasileiro deste e de todos os próximos anos. o que me importa é saber que essa camisa rubro-negra vagabunda, de camelô, que meu pai comprou nem sei quantos anos atrás, tem a cor do meu sangue e da pele do meu avô, como os saquinhos que recolhem as ofertas na Igreja, intercalados como as coisas que aprenderam a conviver bem, em pleno contato e sendo cada uma o que é, sem ferimentos, sem intercessões desnecessárias. eu e meu pai não tivemos muito tempo para ser flamenguistas juntos, e acho que não vou poder ser flamenguista com meu filho, já que o desgramado filho dum cão do meu sogro fez o favor de convencer a criança a ser botafoguense; o que talvez ainda se possa resolver. deixo na mão de Deus. enquanto isso, estou aqui escrevendo, com a camisa no colo, para meu pai, para mim, para meu filho, que veio me dizer que o vovô estava dentro da camisa, então vamos dar um beijo nela.
Há uma lição em porcarias acidentais, como Showgirls, e planejadas, como Sinhá Boça: Os poderosos, os bem inseridos, aquelas pessoas que poderiam te ajudar sem nenhum prejuízo pessoal são exatamente o tipo de gente que vai te ferrar por qualquer merreca.
O que personagens como Dona Máxima, Manoelzinho Araújo e Jacques Le Bleu têm a ver com Zack Carey e Cristal Connors é a picaretagem, uma capacidade imensa de construir fortuna, prestígio e poder em cima de migalhas tomadas dos mais fracos.
Guardadas as proporções, todo mundo é um desgraçado ou um idiota, e tanto mais quanto mais se deu bem na vida. E isso Hollywood e a Globo não confessarão, por motivos óbvios.
E isso prova suficientemente a superioridade do Flamengo.