Naïf Gendarme

30 30UTC dezembro 30UTC 2008

De véspera

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 12:57

Último dia do ano, na prática. Vou encerrá-lo com Bohemia Weiss & algo de bueno para comer, trabalhando no meu próximo livro.

A todos desejo que o próximo ano seja melhor.

Abraços,

19 19UTC dezembro 19UTC 2008

Crise na Igreja? Que crise?

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 14:04

Durante minha ausência do portal, entre os blogs que mais tenho lido houve sempre um bom número de blogs católicos, como o Deus lo Vult!; Fidei Depositum, Igreja Una, etc. Todos mais ou menos filo-tradicionalistas, mas longe do sede-vacantismo: E misteriosamente, de todos estes blogs, afastados da Canção Nova, é fácil traçar, através de leitores, comentadores e autores de outros blogs linkados e linkantes uma linha que os liga… à CN.

A CN faz muito bem o seu trabalho de atrair a todos no orbis catholicus. Tanto que até os tradicionalistas, para quem a CN não dá a-me-nor-pe-lo-ta, vez por outra estão lá, admirando gente como Dunga e Adriana Ribeiro. Eu, que não sou Tradicionalista (Deus me livre, sou Católico), freqüento uma Paróquia de Rito Extraordinário e o que vejo não é bonito.

A CN pega os tradicionalistas pelo pé: E o pé de quem “ama a liturgia” é seu aspecto externo, estético, que com bastante dinheiro dos sócios dá para imitar. Muito ouro e casulas bem bordadas fazem muita gente esquecer do et cum spiritu tuo.

De fato, a vulgaridade é gás que se expande. E pro católico bitolado, qualquer coisa levemente holier than TV, mesmo na TV, já conta como “ai meu deus o padre fábio de mello é um sacerdote do deus altissimo hihihi não é culpa dele se é bonito hihihi”.

Primeiro: Ele não é bonito. Assim parece porque é vaidoso, coisa que nenhum Padre deveria ser. Mas vaidade, na CN, é mistura padrão do ar. E é nisso que o tradicionalista vaidoso se quebra: no AIAIAI QUE BUNITO ESSE ALTAR

que muitas vezes ele não consegue reprimir, pois é também vaidoso e esquece que o preciosíssimo Corpo e Sangue de Cristo são mais importantes que a beleza do sacrário – e, aparentemente, são pão e vinho, nada assim muito vistoso.

***

Outra postura comum é a do “nunca vi e já odeio”. Este é o velho rad-trad, meio last week mas ainda na activa. Só que ele é burro e fácilmente será pego pela dialética erística chav:

“Ali G: – West Side is the best!ESMM:- East Side is the best!Ali G: – West Side is the best!ESMM:- East Side is the best!Ali G: – West Side is the best!ESMM:- West Side is the best!Ali G: – East Side is the best!

(from Ali G Indahouse, Mark Mylod, 2002)”

E daí? Daí que esse também dá força pra crise: Ao negar qualquer valor à CN, impede que seja combatido qualquer traço de heresia que possivelmente exista nesta comunidade. Isto porque toda heresia é feita de uma verossimilhança, obtida por um complicado esquema de manter boa parte das estruturas visíveis da ortodoxia e remover, discretamente, um ponto, substituindo-o por outro. Rejeitar a CN por inteiro é rejeitar boa parte do Catolicismo.

E a coisa mais difícil de se achar são pessoas mais preocupadas com coisas maiores do que consigo mesmas – por exemplo, a muito falada “maior glória de Deus”, que implica um quase esquecimento das próprias preferências. Eu, por exemplo, prefiro ir para o céu, mas quando rezo o terço peço que Jesus socorra principalmente as almas que mais precisarem. Questão de prioridade, if you mind.

E não é nem porque eu sou bonzão, é porque o Anjo disse em Fátima e minha mãe e meu pai me ensinaram.

***

E eu vivo nesse meio, vendo tudo isso quase todo dia, entre tradicionalistas, carismáticos, teólogos da libertação, e principalmente gente desinformada e seguidora de batuque que acha que a tradição da Igreja tem cinco anos a mais que sua própria experiência na Igreja. A principal tentação de quem se vê no meio desse caos é a de somar ao seu desconforto uma crença numa vocação – a do Católico Melhor, que o sujeito acredita que deva ser (e deve sim, todo mundo deve tentar ser santo até a morte) e lá na frente acaba confundindo com o Catolicão, o Atanasium contra mundum que acha que a santidade de Atanásio estava em ele ser contra mundum, e não em ele ser… pro dominum! Não precisa ser santo: Como os Santos eram sempre diferentes, surpreendentes e até anti-sociais(!), basta ser exquisito. Basta fazer coisas que ninguém conseguiria entender. Como isto.

(Aqui o Pedro Sette Câmara deve estar querendo me explicar isso em termos Girardianos, duplo angélico e etc. A caixa de comentários é sua, Pedro).

18 18UTC dezembro 18UTC 2008

Robert Frost – Fire and Ice

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 12:59

Tradução: Igor Barbosa

Diz-se que o mundo acaba em fogo,

diz-se em gelo.

do que sei do desejo, eu logo

advogo que será em fogo.

Mas se fosse duplo o flagelo

eu bem conheço do ódio o tom:

Para destruição, o gelo

é também bom

e fica belo.

(leia o original aqui)

17 17UTC dezembro 17UTC 2008

Hunting High and Low

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 12:09

Charles Baudelaire – em Tradução de Ivan Junqueira

A uma passante

A rua em torno era um frenético alarido.Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,Uma mulher passou, com sua mão suntuosaErguendo e sacudindo a barra do vestido.

Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebiaNo olhar, céu lívido onde aflora a ventania,A doçura que envolve e o prazer que assassina.

Que luz… e a noite após! – Efêmera beldadeCujos olhos me fazem nascer outra vez,Não mais hei de te ver senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! “nunca” talvez!Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!

*

Originais do Samba

Do lado Direito da rua Direita

Do lado Direito da rua DireitaOlhando as vitrines coloridas eu a vimas quando quis me aproximar de ti não tive temponum movimento imenso na rua eu lhe perdi

Cada menina que passavapara o seu rosto eu olhavae me enganava pensando que fosse vocêe na rua direita eu voltarei pra lhe ver

laialaialaialaialaialaialalaialaialaialaialaialaiala

16 16UTC dezembro 16UTC 2008

Somebody told me that you had a boyfriend

Arquivado em: Uncategorized — Igor Barbosa @ 16:33

Eu era o esqueleto no armário, o tio velho caduco que passou o rodo décadas atrás, um sinal dos tempos idos em que as fontes eram menos fashionably fine e o layout dos blogs era adeqüado a escritores diletantes e palpiteiros (aham) culturais, ossos duros de roer como os fundadores e formadores deste amado portal, onde sempre mantive no mínimo um dedo do pé; eu era o chato, o trouxa, o mala que vez por outra desistia de suas atividades de ganhar (pouco) dinheiro para, por alguns instantes, encher a paciência dos apostos com baboseiras de iniciante, apelações ao rock ´n´ roll, berros tímidos de quebrai tudo, cambada, quebrai (apud altovolta circa 200x) not surreal sai capeta. Era do verbo já fui e vim ser de novo, de modusque oi, né?

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