Naïf Gendarme

29 29UTC setembro 29UTC 2005

Mal estar no morro Cara de Cão

Arquivado em: Rerum Novarum — Igor Barbosa @ 13:16

Um sentimento comum a boa parte – quase me arrisco a dizer maioria, quase digo todos – de meus amigos, aqui no Rio de Janeiro, é a vontade de ir embora. Eu mesmo me incluo neste grupo; só quero mais algum dinheiro e uma cidade pequena com internet banda larga. Passo sebo nas canelas sem pensar duas vezes.

É difícil pensar nesta cidade, neste estado, e ver motivos para tanto oba-oba. Moramos numa lixeira. Já não se pode sequer dizer que vivemos a decadência – ultrapassamos este estágio. A podridão já nem fede, está diluída, eterizada; penetra os poros, antes de insultar os narizes.

Abstenho-me de citar os sintomas dessa desgraça; o que pode haver de ruim numa cidade, numa região dita metropolitana, com certeza há no Rio, e fartamente; mas o que há de bom é raro e pouco acessível. E tudo piora com a outra parcela dos habitantes, os ufanistas, que sustentam que o mundo gira em torno do Rio de Janeiro. Por favor, o Rio de Janeiro já não é o destino mais popular nem entre os turistas sexuais. Gritamos que o mundo quer ser Copacabana, mas o mundo provavelmente nem lembra que Copacabana existe; e faz muito bem.

Isso não é só do Rio, é do Brasil inteiro – essa mania de se atribuir importância além da devida. Pondo as coisas nos seus devidos lugares, o Rio de Janeiro é formado por dezenas de praias sujas, centenas de favelas, milhares de bandidos e milhões de pessoas grosseiras. Mas, aos olhos do povo, dos jornais, da TV, o Rio de Janeiro é um naco do éden. Maximizamos a importância de tudo que temos em grandes quantidades. Até favela já há quem ache lindo.

Estou indo amanhã para a Alemanha (mas volto). Verei se a copa do mundo, que será lá no ano que vem, importa tanto para eles quanto para nós. Duvido. Exageramos a importância da copa do mundo porque a seleção brasileira ganha. Já a fórmula 1 é desprezada porque não temos nenhum piloto que ganhe; e tenho a certeza que, se o campeonato mundial de arrotos fosse ganho por um brasileiro, seria transformado numa importantíssima competição esportiva.

O Rio de Janeiro é muito uma parte do Brasil, nesse aspecto. Tudo que nós temos em excesso é classificado como bom pela mente média do carioca. Aquilo que não se pode chamar de bom é desprezado, absorvido; e tudo que nos falta é considerado bobo, inútil ou nocivo. Quando bater o primeiro furação aqui, vai ser citado como exemplo de nosso “amplo espectro climático”.

Antes disso, tomara que eu consiga fugir desse lugar, baby.

19 19UTC setembro 19UTC 2005

Escravos da Astúcia, Escravos de Deus

Arquivado em: Naïfapostas — Igor Barbosa @ 14:30

A moral do Cristianismo foi qualificada – muito para descanso de seus inimigos, que de modo geral estão contentes de decorar cinco ou dez epítetos desonrosos à nossa religião – de moral de escravos. Sejamos escravos, então; é como escravo que vou ver minha moral, é sob o fardo da fé e o chicote da penitência que vou analisar minha religião.

5 05UTC setembro 05UTC 2005

Meu final de semana? Excelente.

Arquivado em: Naïfismo — Igor Barbosa @ 19:20

Penguin Classics, Unidade: R$ 15,00Trufas de chocolate: R$1,50Travesseiros: R$40Responder “hã?” quando a sogra comenta que o Lula está blá-blá-blá: Não tem preço.

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