Meu cachorro Alphonse Daudet é um bobalhão, e eu não fico atrás. Grandes surpresas, um cachorro e um homem bobos; é tão vulgar que eu desisto. (Inspiro fundo e lento) Pronto, fiquei perspicaz – espertão. Tentei convencer Phonsy a fazer o mesmo, mas ele finge que não me ouve.
Nem vai me ouvir depois que chegarmos ao parque, onde gosto de deitar na grama e virar a cabeça para trás, até dormir observando a grama e o céu em posições trocadas, até que o sono me faça esquecer e pensar que o céu é verde e a grama azul. A posição não é natural, de fato, e minha cabeça volta a entrar no eixo da coluna enquanto durmo, e quando acordo tenho apenas o céu à minha frente. Já o vi azul muito escuro, pensei que estava no fundo do mar, afogado. Hoje as nuvens estão cacheadas.
Acordei e uma menininha está com meu guarda-sol, distante uns três metros. Essas ladrazinhas, não posso simplesmente tomar meu escudo de volta. Uso o guarda sol para proteger meus pés, pois não me incomodo com o sol no rosto; mas há na cidade um concurso que venço todos os anos. Trata-se da eleição do mais branco pé masculino.
O prêmio do concurso é minha única fonte de renda.
