Encarnação
Encarnação do Erro era uma viúva prestes a, como diria, “contrair segundas núpcias” com Valente Amado, espadaúdo e reformado major.
Na noite antes da boda, ineditamente úmida e ventosa, Encarnação acordou (não sabia que horas eram) e, depois de olhar pela janela, enxergando com muito sacrifício a casa do Valente Amado, que ficava do outro lado da rua, voltou para a cama e dormiu novamente, desta vez um sono pesado e feliz.Dez horas depois tornava-se Encarnação do Erro Amado. Mudou-se para a casa no fim da rua, onde foi – ou melhor, está sendo – infeliz para sempre, embora minha bola de cristal não tenha precisão para além de 3007. Que importa? Daqui diremos: Infelizes para sempre!
Sua filha nasceu um ano e meio depois; chamou-se Encadernação e morreu solteirona, incrivelmente parecida com uma azeitona verde deixada fora do pote com salmoura.
